A INTERSECÇÃO ENTRE POLÍTICA E PODER (TEMA 03)
A união de política e do poder não é má em si, desde que o foco dessa seja o bem coletivo e que essa junção seja exercida por quem saiba e queira agir com ética e que tenha um bom conceito de cidadania. Assim, como dizia o filósofo Maquiavel, o príncipe (o governante) dÉ provável que, aos olhos mais atentos do intelecto duns outros, possíveis exceções sejam atribuídas à seguinte hipótese: “ao contrário do que acontecera outrora, a persona do poder transcende os traços sisudos da figura ‘homem’ e encarna, hoje, nos pilares frondosos das instituições, dos conglomerados empresariais”. Numa palavra, as colunas de mármore não mais abrigam um ser todo poderoso embaixo dum teto pintado a mão; as vigas monumentais estruturam, na contemporaneidade, os pés gordos daquilo que julgamos representar o dito cujo do poder.
As mãos taumaturgas dos reis e a palavra sagrada dos papas representavam, num dado tempo, a expressão máxima dum determinado viés do poder. Os títulos atribuídos aos sujeitos outorgavam a ele
s autoridade; mas autoridade num entendimento adequado ao sentido do termo pertinente a uma realidade duma Idade Média, por exemplo. Veja só: o papa do medievo representava a Igreja Católica; sua palavra era a voz de Deus e seus discursos não

provocavam polêmicas como esta.
Em alusão à insinuação feita pelo parágrafo, pode-se listar, a título de demonstração da relação do poder com suas tietes em forma humana, uma reportagem publicada no mês passado sobre política: “foi reverberada, por incontáveis canais de mídia, a notícia de que Wagner Rossi, o agora ex-ministro, pediu demissão da Agricultura. Em carta publicada pelo político no dia 17 do mês passado, o que não faltaram foram frases no imperativo, vide: “Fiz o acordo da citricultura (...), Apoiei os grandes, os médios e os pequenos produtores da agricultura familiar (...) e, num rebate às acusações feitas pela Folha de S. Paulo e pela Revista Veja, “Respondi a cada acusação com documentos comprobatórios que a imprensa solenemente ignorou”.
Visto isto, e a l
ume do entoado pelas linhas deste texto, é de se pensar: “será que o poder, neste mundo globalizado, não transcende de fato a “persona homem” e anima as instituições que de fato detém o poder? Não seria, neste caso, a mídia a representação mais voraz de um dos poderes mais majestosos já pensados pelos homens – o poder da comunicação, da publicidade, do espetáculo?”.
O poder e a política são “expressões sociais” que andam lado a lado, foram gestadas num mesmo ventre e imperam no reino dos homens como dois “porcos-espinhos”; até o mais carinhoso dos abraços pode provocar chagas fundas na carapaça vaidosa dos dois “Ps”...
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O PODER EM MAQUIAVEL
Nicolau Maquiavel,foi um historiador, poeta, e músico italiano do Renascimento. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, pela simples manobra de escrever sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser. Os recentes estudos do autor e da sua obra admitem que seu pensamento foi mal interpretado historicamente. O Príncipe é provavelmente o livro mais conhecido de Maquiavel. Teve origem com a união de Juliano de Médici com a qual Maquiavel viu a possibilidade de um príncipe finalmente unificar a Itália e defendê-la contra os estrangeiros, apesar de dedicar a obra a Lourenço de Médici, mais jovem, de forma a estimulá-lo a realizar esta empreitada. Outra versão sobre a origem do livro, diz que ele o teria escrito em uma tentativa de obter favores dos Médici, contudo ambas as versões não são excludentes.Para ele, a natureza humana seria essencialmente má e os seres humanos quereriam obter os máximos ganhos a partir do menor esforço, apenas fazendo o bem quando forçados a isso. A natureza humana também não se alteraria ao longo da história fazendo com que seus contemporâneos agissem da mesma maneira que os antigos romanos e que a história dessa e de outras civilizações servissem de exemplo.
Como consequência acha inútil imaginar Estados utópicos, e prefere pensar no real. Sem querer com isso dizer que os seres humanos ajam sempre de forma má, pois isso causaria o fim da sociedade, baseada em um acordo entre os cidadãos. Ele quer dizer que o governante não pode esperar o melhor dos homens ou que estes ajam segundo o que se espera deles.



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