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Sobre Hobbes, Locke e Rousseau: uma provocação...

"Sanitário Hobbes; Sanitário Locke e Sanitário Rousseau".

Resenha

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Resenha: E se a rosas falassem?

“O Nome da Rosa” – Direção: Jean Annaud (1986)

Mergulhar – fundo – nos grandes mares do conhecimento, e não apenas navegar por sobre as águas translúcidas dele, sempre exigiu dos argonautas algumas gotas de suor. Por vezes, cercos eram (são) montados, caminhos eram (são) apedrados; livros eram (são) queimados, questionamentos eram (são) suprimidos. Nestas linhas, avaliar a relevância dum filme como “O Nome da Rosa”, baseado em romance homônimo de Umberto Eco, mostra-se não só pertinente ao esclarecimento de determinadas névoas que circundam o imaginário dos mais inquietos, mas configura-se, sobretudo, como uma reflexão fundamental ao intelecto daqueles que flertam com a dúvida, que enamoram iconoclastas; que se encantam por risadas, que seduzem “pétalas rosadas”.

A película, rodada pela primeira vez no ano de 1986, retrata o pensamento político e filosófico duma Itália da Alta Idade Média (séc. XIV). A retomada das ideias de Santo Agostinho, a injeção do pensamento platônico na interpretação dos enunciados filosóficos e, pois, a reformulação duma doutrina cristã compõe o cenário, porque não, kafkaniano da história. Os moldes que dariam forma à luz renascentista ganhavam corpo nesse contexto; escarrava no espírito dos homens o desejo pelo conhecimento, uma vez que a ciência, ali, começara a ganhar cada vez mais visibilidade numa sociedade “pré-moderna”.

Expostos os elementos, fica, agora, bastante cômodo compreender o método que regera a conduta de William de Baskerville, monge beneditino e renascentista que fora evocado pela ordem de um mosteiro italiano para investigar as misteriosas mortes que rondavam o cotidiano sacro duns poucos frades. Acompanhado de seu pupilo, o jovem e quase virgem Adso de Melk – que desempenhara na trama a figura de narrador, e apenas – Baskeville logo arremata o mistério e, salvas as portas sempre fechadas da biblioteca do mosteiro, não encontra maiores dificuldades para, cheio de pompa, refutar a ordem imposta: “nada de risos!”. Dizia o chefe velho e cego do mosteiro. “Não há relatos bíblicos de que Cristo tenha rido em sua vida, portanto, quietos!”, finalizava o personagem sisudo.

Além da expressão não só do pensamento, mas do “caráter dos homens puros” da época, o filme retrata uma das atividades mais importantes desenvolvidas pelos mosteiros: as escrituras dos livros sacros, feita pelos escribas. A trama, inclusive, se desenrola em torno do boicote às obras que proporcionavam uma reflexão mais aguçada sobre os termos postos; Aristóteles é considerado um “autor maldito” por encorajar o uso do riso.

A Biblioteca do Mosteiro

Numa alusão a um dos conselhos escritos por Maquiavel no seu “O Príncipe” (numa paráfrase, “as revoltas e quaisquer meios que as proporcionem devem ser suprimidas”), é bastante adequado destacar o momento mais brilhante e quente do filme: a queima dos livros que ficavam, até então, enclausurados na biblioteca do mosteiro; livres de todo e qualquer olho mais afinado. A prática de apagar obras antigas escritas em pergaminhos que, de alguma forma, pudessem incitar algum tipo de “revolta” era muito comum durante a Idade Média – os chamados palimpsestos (no filme Fahrenheit 451, de 1966, os livros também seriam objeto de repúdio por parte do Estado).

A dogmática

Para cada leitor do livro do humor, de Aristóteles, uma morte era celebrada. Sete mortes em sete dias, num mundo cercado por crenças no divino, significavam apenas uma coisa: Deus estava zangado com alguém. O pensamento dominante da época mantinha o conhecimento inacessível a quem quer que fosse. O labirinto, como parte da encruzilhada que desembocava na biblioteca pode ser, numa metáfora, comparado à dogmática cristã que, através das suas teias pegajosas, tenta dissimular os que ousam mergulhar nos mares abertos da dúvida, dos questionamentos. Confrontar a doutrina cristã daquela Idade Média era semelhante a formular a seguinte provocação a um biólogo: e se as rosas falassem?



A INTERSECÇÃO ENTRE POLÍTICA E PODER (TEMA 03)

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Primeiramente, é necessário refletir o conceito de política e de poder. O primeiro é definido como arte de governar, ou seja, de organizar uma sociedade em seus diversos âmbitos, evitando a desordem na convivência com diferentes em um mesmo território e almejando o bem estar social. A política é, ainda, a liberdade de se expressar direita ou indiretamente e de ter uma opinião na Ordem Pública. Em qualquer comunidade organizada, a política é essencial e dela advém o segundo conceito - o poder - sendo por meio dele tomadas as posições que melhor resolvam os problemas de uma nação. O poder é o direito de deliberar, de facultar a autoridade, a soberania de um Estado em nome do povo ou sobre ele. A sociologia define o poder, geralmente, como a habilidade de impor o uso da vontade sobre os outros, mesmo se estes resistirem de alguma maneira.

A união de política e do poder não é má em si, desde que o foco dessa seja o bem coletivo e que essa junção seja exercida por quem saiba e queira agir com ética e que tenha um bom conceito de cidadania. Assim, como dizia o filósofo Maquiavel, o príncipe (o governante) d
eve ser sábio e utilizar-se da força quando necessario para ser bem sucedido em seu reino, deve ser bom, mas também temido para que a ordem seja mantida.

No entanto, há quem assim não proceda, e leva para a política os seus interesses pessoais, o seu egoísmo e suas vaidades. Max Weber, em sua obra "Ciência e Política duas vocações", afirma que para muitos a política é almejada visando a participar da poder soberano do Estado, visto que, o Estado consiste em uma relação de dominação do homem pelo homem, com base no instrumento da violência legítima. O político exercerá sua profissão não por vocação ou por querer o bem de todos, mas sim para satisfazer a si, gozando de todos os poderes que lhe é concedido. Surge desse contexto, os inúmeros escândalos públicos que lemos nos jornais todos os dias, tais como a corrupção, o desinteresse popular pela política e as revoltas.

A política e o poder são necessários, para tanto o poder político deve contar com o apoio da sociedade para se chegar ao equilíbrio, ao reto meio-termo, como dizia Aristóteles, e não permitir a preponderância dos interesses de um minoria, mas sim da maioria. A força deve ser sim utilizada por intermédio do poder, mas para apenas punir os atos ilícitos que levarão à desordem social.

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O REINO DOS PORCOS-ESPINHOS


É provável que, aos olhos mais atentos do intelecto duns outros, possíveis exceções sejam atribuídas à seguinte hipótese: “ao contrário do que acontecera outrora, a persona do poder transcende os traços sisudos da figura ‘homem’ e encarna, hoje, nos pilares frondosos das instituições, dos conglomerados empresariais”. Numa palavra, as colunas de mármore não mais abrigam um ser todo poderoso embaixo dum teto pintado a mão; as vigas monumentais estruturam, na contemporaneidade, os pés gordos daquilo que julgamos representar o dito cujo do poder.

As mãos taumaturgas dos reis e a palavra sagrada dos papas representavam, num dado tempo, a expressão máxima dum determinado viés do poder. Os títulos atribuídos aos sujeitos outorgavam a ele

s autoridade; mas autoridade num entendimento adequado ao sentido do termo pertinente a uma realidade duma Idade Média, por exemplo. Veja só: o papa do medievo representava a Igreja Católica; sua palavra era a voz de Deus e seus discursos não

provocavam polêmicas como esta.

Em alusão à insinuação feita pelo parágrafo, pode-se listar, a título de demonstração da relação do poder com suas tietes em forma humana, uma reportagem publicada no mês passado sobre política: “foi reverberada, por incontáveis canais de mídia, a notícia de que Wagner Rossi, o agora ex-ministro, pediu demissão da Agricultura. Em carta publicada pelo político no dia 17 do mês passado, o que não faltaram foram frases no imperativo, vide: “Fiz o acordo da citricultura (...), Apoiei os grandes, os médios e os pequenos produtores da agricultura familiar (...) e, num rebate às acusações feitas pela Folha de S. Paulo e pela Revista Veja, “Respondi a cada acusação com documentos comprobatórios que a imprensa solenemente ignorou”.

Visto isto, e a l

ume do entoado pelas linhas deste texto, é de se pensar: “será que o poder, neste mundo globalizado, não transcende de fato a “persona homem” e anima as instituições que de fato detém o poder? Não seria, neste caso, a mídia a representação mais voraz de um dos poderes mais majestosos já pensados pelos homens – o poder da comunicação, da publicidade, do espetáculo?”.

O poder e a política são “expressões sociais” que andam lado a lado, foram gestadas num mesmo ventre e imperam no reino dos homens como dois “porcos-espinhos”; até o mais carinhoso dos abraços pode provocar chagas fundas na carapaça vaidosa dos dois “Ps”...

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O PODER EM MAQUIAVEL


Nicolau Maquiavel,foi um historiador, poeta, e músico italiano do Renascimento. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, pela simples manobra de escrever sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser. Os recentes estudos do autor e da sua obra admitem que seu pensamento foi mal interpretado historicamente. O Príncipe é provavelmente o livro mais conhecido de Maquiavel. Teve origem com a união de Juliano de Médici com a qual Maquiavel viu a possibilidade de um príncipe finalmente unificar a Itália e defendê-la contra os estrangeiros, apesar de dedicar a obra a Lourenço de Médici, mais jovem, de forma a estimulá-lo a realizar esta empreitada. Outra versão sobre a origem do livro, diz que ele o teria escrito em uma tentativa de obter favores dos Médici, contudo ambas as versões não são excludentes.

Para ele, a natureza humana seria essencialmente má e os seres humanos quereriam obter os máximos ganhos a partir do menor esforço, apenas fazendo o bem quando forçados a isso. A natureza humana também não se alteraria ao longo da história fazendo com que seus contemporâneos agissem da mesma maneira que os antigos romanos e que a história dessa e de outras civilizações servissem de exemplo.

Como consequência acha inútil imaginar Estados utópicos, e prefere pensar no real. Sem querer com isso dizer que os seres humanos ajam sempre de forma má, pois isso causaria o fim da sociedade, baseada em um acordo entre os cidadãos. Ele quer dizer que o governante não pode esperar o melhor dos homens ou que estes ajam segundo o que se espera deles.

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