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Sobre Hobbes, Locke e Rousseau: uma provocação...

"Sanitário Hobbes; Sanitário Locke e Sanitário Rousseau".

Resenha

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Resenha: E se a rosas falassem?

“O Nome da Rosa” – Direção: Jean Annaud (1986)

Mergulhar – fundo – nos grandes mares do conhecimento, e não apenas navegar por sobre as águas translúcidas dele, sempre exigiu dos argonautas algumas gotas de suor. Por vezes, cercos eram (são) montados, caminhos eram (são) apedrados; livros eram (são) queimados, questionamentos eram (são) suprimidos. Nestas linhas, avaliar a relevância dum filme como “O Nome da Rosa”, baseado em romance homônimo de Umberto Eco, mostra-se não só pertinente ao esclarecimento de determinadas névoas que circundam o imaginário dos mais inquietos, mas configura-se, sobretudo, como uma reflexão fundamental ao intelecto daqueles que flertam com a dúvida, que enamoram iconoclastas; que se encantam por risadas, que seduzem “pétalas rosadas”.

A película, rodada pela primeira vez no ano de 1986, retrata o pensamento político e filosófico duma Itália da Alta Idade Média (séc. XIV). A retomada das ideias de Santo Agostinho, a injeção do pensamento platônico na interpretação dos enunciados filosóficos e, pois, a reformulação duma doutrina cristã compõe o cenário, porque não, kafkaniano da história. Os moldes que dariam forma à luz renascentista ganhavam corpo nesse contexto; escarrava no espírito dos homens o desejo pelo conhecimento, uma vez que a ciência, ali, começara a ganhar cada vez mais visibilidade numa sociedade “pré-moderna”.

Expostos os elementos, fica, agora, bastante cômodo compreender o método que regera a conduta de William de Baskerville, monge beneditino e renascentista que fora evocado pela ordem de um mosteiro italiano para investigar as misteriosas mortes que rondavam o cotidiano sacro duns poucos frades. Acompanhado de seu pupilo, o jovem e quase virgem Adso de Melk – que desempenhara na trama a figura de narrador, e apenas – Baskeville logo arremata o mistério e, salvas as portas sempre fechadas da biblioteca do mosteiro, não encontra maiores dificuldades para, cheio de pompa, refutar a ordem imposta: “nada de risos!”. Dizia o chefe velho e cego do mosteiro. “Não há relatos bíblicos de que Cristo tenha rido em sua vida, portanto, quietos!”, finalizava o personagem sisudo.

Além da expressão não só do pensamento, mas do “caráter dos homens puros” da época, o filme retrata uma das atividades mais importantes desenvolvidas pelos mosteiros: as escrituras dos livros sacros, feita pelos escribas. A trama, inclusive, se desenrola em torno do boicote às obras que proporcionavam uma reflexão mais aguçada sobre os termos postos; Aristóteles é considerado um “autor maldito” por encorajar o uso do riso.

A Biblioteca do Mosteiro

Numa alusão a um dos conselhos escritos por Maquiavel no seu “O Príncipe” (numa paráfrase, “as revoltas e quaisquer meios que as proporcionem devem ser suprimidas”), é bastante adequado destacar o momento mais brilhante e quente do filme: a queima dos livros que ficavam, até então, enclausurados na biblioteca do mosteiro; livres de todo e qualquer olho mais afinado. A prática de apagar obras antigas escritas em pergaminhos que, de alguma forma, pudessem incitar algum tipo de “revolta” era muito comum durante a Idade Média – os chamados palimpsestos (no filme Fahrenheit 451, de 1966, os livros também seriam objeto de repúdio por parte do Estado).

A dogmática

Para cada leitor do livro do humor, de Aristóteles, uma morte era celebrada. Sete mortes em sete dias, num mundo cercado por crenças no divino, significavam apenas uma coisa: Deus estava zangado com alguém. O pensamento dominante da época mantinha o conhecimento inacessível a quem quer que fosse. O labirinto, como parte da encruzilhada que desembocava na biblioteca pode ser, numa metáfora, comparado à dogmática cristã que, através das suas teias pegajosas, tenta dissimular os que ousam mergulhar nos mares abertos da dúvida, dos questionamentos. Confrontar a doutrina cristã daquela Idade Média era semelhante a formular a seguinte provocação a um biólogo: e se as rosas falassem?



A INTERSECÇÃO ENTRE POLÍTICA E PODER (TEMA 03)

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Primeiramente, é necessário refletir o conceito de política e de poder. O primeiro é definido como arte de governar, ou seja, de organizar uma sociedade em seus diversos âmbitos, evitando a desordem na convivência com diferentes em um mesmo território e almejando o bem estar social. A política é, ainda, a liberdade de se expressar direita ou indiretamente e de ter uma opinião na Ordem Pública. Em qualquer comunidade organizada, a política é essencial e dela advém o segundo conceito - o poder - sendo por meio dele tomadas as posições que melhor resolvam os problemas de uma nação. O poder é o direito de deliberar, de facultar a autoridade, a soberania de um Estado em nome do povo ou sobre ele. A sociologia define o poder, geralmente, como a habilidade de impor o uso da vontade sobre os outros, mesmo se estes resistirem de alguma maneira.

A união de política e do poder não é má em si, desde que o foco dessa seja o bem coletivo e que essa junção seja exercida por quem saiba e queira agir com ética e que tenha um bom conceito de cidadania. Assim, como dizia o filósofo Maquiavel, o príncipe (o governante) d
eve ser sábio e utilizar-se da força quando necessario para ser bem sucedido em seu reino, deve ser bom, mas também temido para que a ordem seja mantida.

No entanto, há quem assim não proceda, e leva para a política os seus interesses pessoais, o seu egoísmo e suas vaidades. Max Weber, em sua obra "Ciência e Política duas vocações", afirma que para muitos a política é almejada visando a participar da poder soberano do Estado, visto que, o Estado consiste em uma relação de dominação do homem pelo homem, com base no instrumento da violência legítima. O político exercerá sua profissão não por vocação ou por querer o bem de todos, mas sim para satisfazer a si, gozando de todos os poderes que lhe é concedido. Surge desse contexto, os inúmeros escândalos públicos que lemos nos jornais todos os dias, tais como a corrupção, o desinteresse popular pela política e as revoltas.

A política e o poder são necessários, para tanto o poder político deve contar com o apoio da sociedade para se chegar ao equilíbrio, ao reto meio-termo, como dizia Aristóteles, e não permitir a preponderância dos interesses de um minoria, mas sim da maioria. A força deve ser sim utilizada por intermédio do poder, mas para apenas punir os atos ilícitos que levarão à desordem social.

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O REINO DOS PORCOS-ESPINHOS


É provável que, aos olhos mais atentos do intelecto duns outros, possíveis exceções sejam atribuídas à seguinte hipótese: “ao contrário do que acontecera outrora, a persona do poder transcende os traços sisudos da figura ‘homem’ e encarna, hoje, nos pilares frondosos das instituições, dos conglomerados empresariais”. Numa palavra, as colunas de mármore não mais abrigam um ser todo poderoso embaixo dum teto pintado a mão; as vigas monumentais estruturam, na contemporaneidade, os pés gordos daquilo que julgamos representar o dito cujo do poder.

As mãos taumaturgas dos reis e a palavra sagrada dos papas representavam, num dado tempo, a expressão máxima dum determinado viés do poder. Os títulos atribuídos aos sujeitos outorgavam a ele

s autoridade; mas autoridade num entendimento adequado ao sentido do termo pertinente a uma realidade duma Idade Média, por exemplo. Veja só: o papa do medievo representava a Igreja Católica; sua palavra era a voz de Deus e seus discursos não

provocavam polêmicas como esta.

Em alusão à insinuação feita pelo parágrafo, pode-se listar, a título de demonstração da relação do poder com suas tietes em forma humana, uma reportagem publicada no mês passado sobre política: “foi reverberada, por incontáveis canais de mídia, a notícia de que Wagner Rossi, o agora ex-ministro, pediu demissão da Agricultura. Em carta publicada pelo político no dia 17 do mês passado, o que não faltaram foram frases no imperativo, vide: “Fiz o acordo da citricultura (...), Apoiei os grandes, os médios e os pequenos produtores da agricultura familiar (...) e, num rebate às acusações feitas pela Folha de S. Paulo e pela Revista Veja, “Respondi a cada acusação com documentos comprobatórios que a imprensa solenemente ignorou”.

Visto isto, e a l

ume do entoado pelas linhas deste texto, é de se pensar: “será que o poder, neste mundo globalizado, não transcende de fato a “persona homem” e anima as instituições que de fato detém o poder? Não seria, neste caso, a mídia a representação mais voraz de um dos poderes mais majestosos já pensados pelos homens – o poder da comunicação, da publicidade, do espetáculo?”.

O poder e a política são “expressões sociais” que andam lado a lado, foram gestadas num mesmo ventre e imperam no reino dos homens como dois “porcos-espinhos”; até o mais carinhoso dos abraços pode provocar chagas fundas na carapaça vaidosa dos dois “Ps”...

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O PODER EM MAQUIAVEL


Nicolau Maquiavel,foi um historiador, poeta, e músico italiano do Renascimento. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, pela simples manobra de escrever sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser. Os recentes estudos do autor e da sua obra admitem que seu pensamento foi mal interpretado historicamente. O Príncipe é provavelmente o livro mais conhecido de Maquiavel. Teve origem com a união de Juliano de Médici com a qual Maquiavel viu a possibilidade de um príncipe finalmente unificar a Itália e defendê-la contra os estrangeiros, apesar de dedicar a obra a Lourenço de Médici, mais jovem, de forma a estimulá-lo a realizar esta empreitada. Outra versão sobre a origem do livro, diz que ele o teria escrito em uma tentativa de obter favores dos Médici, contudo ambas as versões não são excludentes.

Para ele, a natureza humana seria essencialmente má e os seres humanos quereriam obter os máximos ganhos a partir do menor esforço, apenas fazendo o bem quando forçados a isso. A natureza humana também não se alteraria ao longo da história fazendo com que seus contemporâneos agissem da mesma maneira que os antigos romanos e que a história dessa e de outras civilizações servissem de exemplo.

Como consequência acha inútil imaginar Estados utópicos, e prefere pensar no real. Sem querer com isso dizer que os seres humanos ajam sempre de forma má, pois isso causaria o fim da sociedade, baseada em um acordo entre os cidadãos. Ele quer dizer que o governante não pode esperar o melhor dos homens ou que estes ajam segundo o que se espera deles.

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O poder político da Igreja no Brasil de hoje (tema 02)

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AFINAL, SUPER-HOMENS NÃO EXISTEM...

Na sociologia, um sujeito chamado Auguste Comte formulara, numa França do séc. XIX, a “Lei dos Três Estados”. Em poucas palavras, a teoria afirmara que, numa linha ascendente, isto é, progressiva da história dos mortais, a humanidade superaria os estados mítico (permeado por crenças no sobrenatural) e metafísico (caracterizado pela intersecção entre a tal tríplice); o positivo, pois, seria o apogeu; o mais alto grau de “desenvolvimento” das civilizações (cultos a “canetas voadoras” e a “deuses metade bicho metade androide” seriam suprimidos pelas “explicações racionais das coisas, do mundo”).

Comte refletiu nuns cadernos o espírito “otimista” da sua época (França, Pós-1789), mas equivocou-se quanto à amizade eternamente colorida entre filosofia e política; premissa característica da corrente positiva. A “evolução da sociedade” imprimiu nas páginas dos livros acontecimentos dignos de vergonha coletiva, tais como duas Guerras Mundiais, crises econômicas e sociais abissais em países tidos como desenvolvidos e estatísticas desoladoras sobre mortes por inanição em “nações carentes” – listemos, aqui, apenas estes três “tópicos” insensíveis, quase invisíveis aos olhos auspiciosos do cinema, da “publicidade industrial”...

Pois bem, tendo em vista a “não linearidade” da progressão prevista pelo sociólogodo primeiro parágrafo, poderíamos, ainda às custas da teoria supracitada, fazer uma espécie de novo arranjo em cima daquele devaneio e indagar-nos, vis-à-vis, o seguinte: “será que aqueles ‘três estados’ (o mítico, o metafísico e o positivo) não coexistem de alguma forma nessa nossa sociedade? Não seriam eles, talvez, a manifestação dum mesmo princípio?”.

Vejamos: da mesma forma que um evangélico bipolar pode, sem limitação alguma, doar R$ 292.000, 00 a uma igreja qualquer do reino de deus, o mais praticante dos ateus tem todo o direito de investir o valor integral da sua receita em criogenia. Duvida? Clique aqui, aqui e certifique-se. Numa palavra, e ao contrário do que dizem os “mais esclarecidos dos racionais”, é clara a constatação de que o homem, num estado qualquer de consciência, superou estado algum; isto é, ele continua, ainda e sempre, adorando alguma coisa; o que se alterou foi, apenas, nosso objeto de glorificação – objeto este outrora conhecido como “Deus” (ou “deus”, como preferir), “Cowboys e Aliens” e/ou “Ciência” (ou “ciência”, como quiser), afinal, “super-homens” (Übermensch, hein?) não existem...

O poder exercido pela filosofia mítica, pela religião, num Estado laico como o Brasil reverbera de tempos em tempos pelos corredores congestionados da mídia verde amarela. Vide:

•Por terem transcrito nesta última quarta-feira (17) algumas passagens da bíblia num outdoor, uma igreja de Ribeirão Preto foi forçada a retirar as palavras “h o m o f ó b i c a s” da placa logo em seguida.

•A Rede TV! e a Igreja Internacional da Graça de Deus foram vítimas do MPF neste dia 19. Motivo: atentados contra ateus.

*“Dum lado, cristãos roxos a favor das famílias reacionárias; expressando opinião”.

*“Doutro, sujeitos que, ao invés da bíblia, adoram um “Vade Mecum”; libertos, dizem não acreditar em deus (ou “Deus...”)”.

Ora, em que estado, ou em quais estados, esta nossa sociedade vive? Será que a lei advém de Deus, se manifesta numa natural e, aí, ganha forma escrita como no tomismo de Santo Tomas de Aquino? Ou, ainda, seria esse nosso código a compilação em forma de regra dos costumes deste ou daquele tempo, nos conformes de desde Demócrito até Cláudio de Cicco?

Delibere, pois.

A IGREJA NA IDADE MÉDIA

Contexto histórico

Com a expansão do feudalismo por toda a Europa Medieval, observou-se a ascensão de uma das mais importantes e poderosas instituições desse mesmo período: a Igreja Católica. Aproveitando-se da expansão do cristianismo, observada durante o fim do Império Romano, a Igreja alcançou a condição de principal instituição a disseminar e refletir os valores da doutrina cristã.

Naquela época, logo após o séc. I, diversas interpretações da doutrina cristã e outras religiões pagãs se faziam presentes no contexto europeu. Foi através do Concílio de Nicéia, em 325, que se assentaram as bases religiosas e ideológicas da Igreja Católica Apostólica Romana. Através da centralização de seus princípios e a formulação de uma estrutura hierárquica, a Igreja teve condições suficientes para alargar o seu campo de influências durante a Idade Média.

Estabelecida em uma sociedade marcada pelo pensamento religioso, a Igreja esteve nos mais diferentes extratos da sociedade medieval. Sua própria organização (dividida em Clero, Nobreza e Servos) era um reflexo da Santíssima Trindade. Além disso, a vida terr

ena era desprezada em relação aos benefícios a serem alcançados pela vida nos céus. Dessa maneira, muitos dos costumes dessa época estavam influenciados pelo dilema da vida após a morte.

Além de se destacar pela sua presença no campo das idéias, a Igreja também alcançou grande poder material. Durante a Idade Média passou a controlar grande parte dos territórios feudais, transformando-se em importante chave na manutenção e nas decisões do poder nobiliárquico. A própria exigência do celibato foi um importante mecanismo para que a Igreja conservasse o seu patrimônio. O crescimento do seu poder material chegou a causar reações dentro da própria instituição.

Aqueles que viam na influência político-econômica da Igreja uma ameaça aos princípios religiosos começaram a se concentrar em ordens religiosas que se abstinha

m de qualquer tipo de regalia ou conforto material. Essa cisão nas práticas da Igreja veio subdividir o clero em duas vertentes: o clero secular, que administrava os bens da Igreja e a representava nas questões políticas; e o clero regular, composto pelas ordens religiosas mais voltadas às práticas espirituais e a pregação de valores cristãos.

Sob outro aspecto, a Igreja também teve grande monopólio sobre o mundo letrado daquele período. Exceto os membros da Igreja, pouquíssimas pessoas eram alfabetizadas ou tinham acesso às obras escritas. Por isso, muitos mosteiros medievais mantinham bibliotecas inteiras onde grandes obras do Mundo Clássico e Oriental eram preservadas. São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, por exemplo, foram dois membros da Igreja que produziram tratados filosóficos que dialogavam com os pensadores da Antiguidade.

Mesmo contando com tamanho poder e influência, a Igreja também sofreu com manifestações dissidentes. havia quem interpretasse o texto bíblico de forma independente ou não reconhecesse o papel sagrado da Igreja: eram considerados hereges.

A inquisição foi um tribunal instituído para suprimir a heresia. Na época, as pessoas eram dominadas por um espírito de intolerância, eram superticiosas e com muita disposição de assassinar os ‘hereges’. A inquisição iniciou uma era de perseguição religiosa que resultou em abusos, falsas e anônimas denúncias, assassinatos, roubos, tortura e morte lenta de milhares de pessoas, que criam de modo diverso da doutrina da Igreja.

Mas esses tribunais da Inquisição não possuiam apenas um papel religioso, mas sim uma grande influência política, atuando em vários países europeus, dentre eles: Itália, França, Alemanha, Portugal e Espanha. Neste último a influência foi forte, tanto no lado espiritual como na vida social.

Como a Igreja devia favores ao estado, o seu papel era também de manter a ordem, combatendo os movimentos revolucionários contra a classe social dominante e tornando-se uma arma de repressão sócio-política.

Não cabe a nós querer criminalizar ou repudiar a Igreja dos dias de hoje, com base nas suas ações passadas. As questões e práticas dessa instituição não são exatamente iguais àquelas encontradas entre os séculos V e XV. Dessa maneira, ao darmos conta do papel desempenhado por essa instituição religiosa, durante a Idade Média, obtemos uma grande fonte de reflexão sobre tal período histórico.

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RESUMO DA AULA “A política na Idade Média” (19/08/2011)


No século V, a Europa Ocidental assiste a desintegração do Império Romano e a ascensão do cristianismo em um período denominado Idade Medieval. Houve a estruturação econômica e social das relações feudais, nas quais predominava o modo de produção agrícola e um poder descentralizado. As sociedades eram hierarquicamente divididas em três classes: no topo estava o clero (alto e baixo clero), em seguida os guerreiros (nobreza feudal e cavaleiros) e na base estavam os trabalhados (camponeses livres, servos, escravos). O mundo feudal foi profundamente marcado e controlado pela Igreja Romana que, por sua vez, influenciou com seus dogmas as relações sociais, os valores culturais e as formas de exercício dos poderes políticos.

A Alta Idade Média foi fortemente influenciada por pensadores filosóficos, num período conhecido como Patrística. O principal deles foi Santo Agostinho que teve como espelho para a criação de suas doutrinas os pensadores Platão e São Paulo. Neste momento, tem-se a ideia de Direito Divino, ou seja, o poder constitutivo vem de Deus, que dá legitimidade aos governantes, competindo ao povo à obediência. Santo Agostinho discorre sobre o conflito entre a Cidade Celestial, na qual reside o poder espiritual, um mundo sem pecado onde reina o amor a Deus, e a Cidade Terrena, na qual se encontra o poder temporal, os pagãos e o diabo. O estudioso também refletiu sobre a hierarquia das leis. Para ele, a lei suprema é a lei eterna que expressa a “razão divina e a vontade de Deus”. Essa norma manifesta-se na consciência humana como lei natural que, por conseguinte, refletirá nas leis humanas ou temporais. Assim, para Santo Agostinho, o Direito não pode ser fundamentado na natureza humana (como se propunha na antiguidade), pois esta é rodeada pelo pecado do mundo terreno.

Já a Baixa Idade Média marcou a crise e o declínio do feudalismo, a Igreja Romana passa por profunda reforma. Neste período, houve a emergência da Escolástica, além do enfraquecimento da nobreza feudal com a expansão do comércio e o ápice da produção intelectual, filosófica e teológica da Europa cristã que teve como maior nome Santo Tomás de Aquino. Enquanto Santo Agostinho embasou-se em Platão e São Paulo, proclamando a “fé” como instrumento de compreensão teológico, Santo Tomás de Aquino toma como base as ideias de Aristóteles, apregoando a qualidade e o uso humano da “razão”. Afirma que o homem possui discernimento para diferenciar o bem e o mal. Para ele, o poder do Estado não deve ficar subordinado de forma absoluta ao poder da Igreja, mas sim de maneira relativa. As leis são divididas em quatro patamares: lei eterna, lei natural, lei humana e lei divina, sendo esta última proveniente das Sagradas Escrituras, destinada a sanar as imperfeições da lei humana.

No fim da Idade Média, houve a intensificação do conflito entre Papado e Império, com a vitória deste último. Tem- se, nesse período, a queda da influência do poder celestial. Entra em cena o processo para tornar o Estado laico, através das ideias políticas de alguns autores reformistas e antipapistas. Dante Aliguieri questionou a autoridade do Papa, Marsílio de Pádua afirmou que um Estado precisa do povo para existir e não da Igreja, e Guilherme de Occkaim defendeu a resistência a todo poder que oprima o povo. Conclui-se nessa aula, que no decorrer da história a influência da Igreja nas relações humanas foi constante, e que na maioria das vezes faz com seus dogmas prepondere na mente do indivíduo como forma de adquirir um poder massificado.


Democracia Participativa (tema 01)

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Prós:

É uma verdadeira escola de cidadania à população participativa

O que as experiências brasileiras apontam é que a implementação da participação ativa dos civis na política

torna-se uma verdadeira escola de cidadania à população participante, e o interesse se eleva de acordo com o funcionamento do mecanismo. Como no caso de Porto Alegre (leia sobre o assunto AQUI), o número de ativos aumentou a medida em que a sociedade notou a eficácia do instrumento.



A percepção de que a política transcende o voto é fundamental, sendo a deliberação e a participação indispe

nsáveis ao atendimento das modernas concepções de democracia.


Ainda que não perfeito, esse sistema pode ser a solução para a alienação política. É necessário pensarmos em um rigoroso programa de educação, já que a sociedade não pode descobrir a importância da participação apenas na prática, pois muitos não têm a oportunidade, ou o interesse, de atuar. O papel do cidadão precisa ser revelado na escola, como forma de legitimar ainda mais as ferramentas participativas e a democracia como um todo.


Governos direcionados as reais necessidades do povo

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Contras:

Falta de consciência política na sociedade

Muitas pessoas imaginam que a política não tem nada a ver com a vida pessoal. É, infelizmente, comum muitas delas afirmarem que não se interessam por p

olítica, e, em casos não muito extremos, alguns chegam a dizer que não querem saber de política. Porem a política interfere em nossas vidas todos os dias. Por vezes, é fácil perceber. Outras vezes, nem tanto. Assim, de forma clara ou de forma menos aparente, todas as leis e medidas, tomadas por aqueles que foram legitimamente eleitos, interferem direta ou indiretamente em nossa vida. Os impostos que pagamos, o trânsito, a vida escolar, a vida profissional, os laços familiares... tudo é regido pelas leis e pelas decisões daqueles que governam.

Daqueles que governam . . .



O brasileiro mal tem capacidade política de escolher representantes adequados e justos (não como posição política, mas sim em posição moral), como teria ele a capacidade de optar respostas complexas para temas muito delicados?


Não possibilidade física

O Brasil é um país de 8.511.965 km2 ocupados por 193.733.800 habitantes de diferentes culturas e costumes. Seu território é composto por áreas de dificílimo acesso. Em uma democracia participativa, TODOS devem ter o direito de "falar".

Se em eleições, que ocorrem a cada dois anos, não se alcança 100% da população, qual é a possibilidade logística de dar voz a todos os ~ 200 milhões de brasileiros quando uma questão deve ser discutida?

Os grandes centros urbanos seriam hegemônicos e suas decisões prevaleceriam sobre todas as outras regiões do país (coisa que mesmo na democrac

ia representativa ocorre). Enfim, seria humanamente impossível e polaticamente injusto implantar tal sistema.





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Não opino. Não ouço. Não me importo.
Apenas voto...

Um dos maiores portais midiáticos do país, no ano passado, entoou nas suas primeiras e mais importantes linhas as seguintes palavras: “2010 pode ficar lembrado como o ano em que o Brasil elegeu um palhaço – de verdade – para o “Congresso Nacional”.
A informação, veiculada pelo UOL no dia 03 de outubro do respectivo ano, trouxe consigo um dado ainda mais, num eufemismo, interessante: Francisco Everaldo Oliveira Silva, o famoso Tiririca, foi o segundo deputado mais votado da história do Brasil – com propagandas como essa, essa, e essa, o palhaço conquistou mais de 1,3 milhão de votos em todo país, elegendo-se.

Constatado tal fato, nota-se que o conceito clássico de democracia – cercado pela névoa densa formada pelas ideias de participação popular, justiça e igualdade de todos perante a lei – urge por redefinição, os efeitos almejados pelo sistema democrático representativo foram contrários aqueles previstos pelos românticos dos livros, pelos teóricos positivistas.

Numa breve reflexão, por que não carimbar o resultado supracitado – a eleição de um palhaço – como a manifestação direta de um discurso sem pudor que, arranhando a garganta dos votantes, legitima a mecânica do sistema democrático como falida, decadente?

Entretanto, antes de convidar você a erguer o manto remendado, permeado pelas feridas fundas cauterizadas pela mídia, desse nosso Estado Democrático de Direito, é conveniente que apresentemos, sem delongas preciosas e desnecessárias, os três principais tipos de democracia, a saber: a direta, que supõe o exercício dos três poderes que coexistem em um Estado democrático pelo povo; a indireta ou representativa, cuja população elege representantes que tomam a frente do governo e, por fim, a semidireta ou participativa, que admite a coexistência das duas formas de governo apresentadas acima.

Pois bem, exposto o convencionado, eis a questão: “em que tipo de sistema democrático vivemos? Indireto, direto ou semidireto?” Aqui, você encontra diversas informações bacanas, desde entrevista com “Pedro Pontual” até matérias sobre “A Dinâmica da Participação Local no Brasil”… Mas aí novamente eu te pergunto: “você sabe quem é Pedro Pontual? Qual é a intensidade do seu interesse sobre a “Dinâmica da Participação Local no Brasil”?

Se escrevem por aí que nosso sistema democrático é participativo, isto é, semidireto, por favor, da próxima vez em que algum vizinho teu for à câmara municipal participar ativamente das decisões que lá são tomadas, me convide, numa dessas vamos juntos…”

Em entrevista concedida nesta quinta-feira, dia 11/08/2011, à Folha de S. Paulo, nosso segundo deputado mais votado na história do país verde-amarelo, o Tiririca, disse que a “Câmara é uma fábrica de loucos. Uma fábrica de loucos”. Duvida? Leia a matéria aqui. Numa provocação mais pontiaguda, te escrevo: “quem, em sã consciência de responsabilidade civil, gostaria de participar, de fazer parte da produção da fábrica de loucos”?

Temos e-mails para checar. Cartões para bater. Comida para comprar. Bares para beber. O mundo concreto, a realidade material, não abre espaço para debates calorosos entre intelectuais de esquerda, centro e direita. O brasileiro do séc. XXI não está preocupado com a dívida externa, com o que dizia Rousseau sobre o Estado.

A participação popular no tocante ao cenário político contemporâneo limita-se a umas poucas risadas sobre umas raras charges lato sensu publicadas por aí… Afinal, não opino. Não ouço. Não me importo.


Apenas voto…

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Fontes: